Monday, July 30, 2007

Descanse em paz

"I shall remember this moment: the silence, the twilight, the bowl of strawberries, the bowl of milk. Your faces in the evening light. Mikael asleep, Jof with his lyre. I shall try to remember our talk. I shall carry this memory carefully in my hands as if it were a bowl brimful of fresh milk. It will be a sign to me, and a great sufficiency." Antonius Block, "The Seventh Seal" (Det Sjunde Inseglet)

Ingmar Bergman, 14/07/1918 - 30/07/2007

Thursday, July 19, 2007

Duplo



Aqui é o meu Kibbutz
O contra-registro do hipocampo

Aqui asso o meu pão
Divirto-me com meu circo

Meu Gran Cabaret Demenzial
Minha tontería

Por isso caminhe neste paço com esmero
E extremo tato

Ou então não perturbe
Quem já é por excesso perturbado!


foto: Henri Cartier-Bresson - "Man Leaping"

Friday, July 13, 2007

paraskavedekatriaphobia

nunca foram para mim, nenhuma daquelas palavras sacanas. desde que foi acordado por um tratado de reciprocidade a respeito do jogo a ser jogado. esclareci: só jogo com o coringa, a possibilidade infinita, sem blefes, apenas possibilidades. das regras me lembro muito bem: não há vencedores ou vencidos, mas é ímprobo aquele que entra para disputar e sairá ferido, sangrará. então deixe essa coisa ir. todo esse lixo paranóico que faz questão que eu escute soa um pouco como jogo de azar para mim, por isso vou atirar meus dentes no telhado, me trancar num quarto blindado e orar para Thor me proteger até passar esse bad trip. de Lokis e AI-5’s o mundo já está cheio...

Tuesday, July 03, 2007

ficando assim que se vai galopando a passos largos em linha reta que no espaço curva e sempre à espera/espreita de que esses personagens saltem sobre o papel interrompendo essa dívida eterna de “2,50 por persorna” que não param de reclamar suas novas estações. sou um mero fator vetorial de um código binário em curto-circuito. o a(o)caso se impõe: conexões e cortes, o preto e o branco, a bola oito e a neutra, o positivo e o negativo: fatal como qualquer tragédia atabalhoada e fanfarrona. e o que está entre é sempre proporcionalmente inverso a tudo isto que é de facto e por isso angustiante tenebroso aterrorizante e... e belo. uma morte interminável que não cessa de se insinuar em alguma fenda de menos de half inch em um exterior muito íntimo --> basta seguir cinqüenta metros ladeira abaixo esperar pelo sol do meio-dia atravessar a rua entrar à segunda esquerda seguir adiante entrar no complexo Z da loja de departamentos galgar quarenta e sete degraus arrombar a pequena porta com o pé-de-cabra pendurado na parede inclinada num ângulo de 76 graus com o aviso EM CASO DE...” e espantosamente concluir que. então voltemos ao que importa: se o a(o)caso não tivesse explodido naquele instante com a bola neutra e a bola oito que escaparam furtivamente daquele platô verde-musgo com seis caçapas simetricamente dispostas quebrando-me o dedo médio do pé direito talvez nunca chegaria a pensar que as pipocas doces pudessem ser melhor apreciadas com uma pitada de canela em pó sabor curry e que o empreendimento da chapelaria é sempre uma ótima opção para os desassossegados. e o que está entre? aqui e ali se misturam o cheiro de lama o sal e o suor a reminiscência do sur a memória do lado de lá o gosto de pinhão pombos e merda de pombos e alpiste de pombos e muitos chistes. se é que podemos saber do que se trata somente por escrever. “Quem é Molloy?” e isso é pergunta que se faça??? Molloy, ah Molloy... Molloy são escaras de uma velha senhora moribunda na cama sob vigília constante; um peão de madeira de um infante que brinca no campo de batalha; uma casquinha de sorvete lançada para trás de um banco de praça; o gosto do líquido amarelo de uma lagarta esmagada por uma bicicleta; um salto quebrado na beira da calçada; um remo que afunda o lodo do lago do parque; uma linha verde que divide ao meio uma pintura de Klimt e sobe pelo braço de Cortázar; um gaguejar, uma furadeira, un briquet rouge, três vagabundos dançando a música que emana de uma loja de colchões (“e não é pra isso que ela serve?”). tudo isso funciona mais ou menos assim: apara o Cais de Sta. Rita, prega o Malecón, fura o Centre Pompidou, costura a Andradas e raspa a feira de San Telmo. de hoje em diante 11,65 flexões de braço por BPM seguidas de 13,39 polichinelos por Km² e 9,04 abdominais por perímetro urbano. para uma melhor performance dos exercícios acima será permitido o uso do Thunderbird 1950 motor V8 de 32 válvulas, DOHC, 3,9 l, que produz 252 cv a 6100 rpm e 362J de torque a 4300rpm. mind the gap & watch the parkin’ meters.


P.S.:Tenha sempre um pouco de anti-ferrugem a tira-colo. Você pode precisar.