O pescoço sua. Tiro a coberta; cubro-me novamente. Acordo, cochilo mais um tempo. Viro o travesseiro. A mente a mil: "são vários lobos; não, é um só...", "it´s not going to stop" it ain´t gonna get easy even..., "eu vivo num poço com o meu rato", "number nine number nine number nine number nine". O calor aumenta. Acho que é febre e tiro a camisa, jogo o edredom no chão e abro a cortina. Rolo na cama novamente. Pelo menos a alergia passou."QUEM É?!?!?!?!?!?!" Um grito estridente e trêmulo corta o negrume da madrugada ardente. Salto da cama de supetão: "O QUE FOI MÃE??!!", e me dirijo a seu quarto. "Nada Fernando... foi um pesadelo horrível". "Quer água?". "Não", e vira-se para o outro lado.
É o domingo que chega lentamente trazendo o pânico. Existem poucas coisas tão hostis no mundo quanto vivenciar os dias de domingo. Sua aura angustiante não perdoa personne. Chego a crer no milagre da transcendência aos domingos (acho que é por isso que elegeram o dia para se frequentar as missas...).Há o mistério no primeiro dia. "Miserere Nobis". Não consigo compreender como alguém pode se sentir feliz aos domingos. Duas coisas somente aliviam a sua presença: o futebol e algum churrasco. Esse ano vai ser um pouco pior: meu time joga aos sábados... "Il fait dimanche quand tu souris" (faz-se domingo quando você sorri). Bela música, mas não corresponde com a minha realidade. Ou a garota do Henri Salvador tem um sorriso assustador ou os domingos da Guiana Francesa são alotópicos.
Mas, de todos os domingos do mundo, não existem piores do que os domingos belorizontinos. Parece um câncer que vai destruindo tudo que tente enfrentá-lo. Não acontece absolutamente NADA nesses dias na cidade. Mas o que posso esperar de uma cidade que se vangloria por ter tantos bares e, entretanto, 90% deles fecham 1:00 da madrugada? Certa feita, num domingo qualquer, estava indo ao cinema com uma amiga (M.) recém-chegada de Montes Claros. Estávamos caminhando no limiar do Centro com Lourdes, não havia nada na rua; sensação de estar entrando numa cidade fantasma do Velho Oeste. Mais que de repente, surge impávido, um batalhão de jumentos invadindo as ruas, sedentos por demarcar terreno (e o fazem, se é que vocês me entendem....). Olhei para a cara estupefata de M. que não acreditava em seus próprios olhos: "Que surreal!", foi a única coisa que conseguiu pronunciar diante do acontecimento. Realmente, uma cidade assim não pode ser mesmo séria. Ou então é o Véu de Maia dominical que cega a todos.
NO PURGATÓRIO:
"Seja bem-vindo! Qual é a sua história?"
"Eu me matei..."
"Bem, você sabe como são as regras. Vou ter que te mandar para o andar debaixo. Não há perdão para o que você fez..."
"Mas (...)"
"Meu filho, não há porém para o seu caso! Você é um decadente! Sabe o que pensamos sobre o suicídio!"
"Por favor, tente compreender, era domingo..."
"Bem, aí o caso muda um pouco... Deixe-me consultar o regimento interno. Hmm..."
"O quê?!?"
"Bem, de onde você vem?"
"Sou brasileiro"
"Ahh! Então pode passar! No parágrafo nono do artigo setecentos e um do regimento diz que quem se suicida nos domingos tem carta branca."
"Pôxa, então pra quê o senhor quer saber de onde venho? Está fazendo uma seleção de estirpes? Isto é preconceito! Não acredito que exista preconceito até aqui!"
"Deixe-me explicar. O domingo é uma falha na Matrix, foi um erro do Programador - faz o nome do pai."
"Pois então! Mesmo assim o domingo é do mundo inteiro... Por que você me perguntou de onde venho?"
"Acontece que estamos testando um anti-vírus, mas ele só deu certo na Guiana Francesa. Nesse caso específico, quem se suicida num domingo da Guiana Francesa não tem regalias...Você já escutou 'Il fait dimanche', do Henri Salvador?"
"Oh! Bien sûr..."
Sunday, April 16, 2006
Tuesday, April 11, 2006
"Editorial"
Devido ao post de inauguração, que reporta minha frustração em não ter conseguido comentar num outro blog, algumas pessoas me disseram que não comentaram aqui para não ter que passar pelo mesmo processo que eu. Mas já tomei as devidas providências quanto a esse pequeno empecilho e é possível postar comentários sem haver necessidade de ser um filiado. De qualquer maneira, é tudo uma grande perda de tempo mesmo - apesar de já estar me acostumando e tomando gosto por essa coisa aqui. Assim que tiver alguma coisa em mente, escrevê-la-ei.
Ahh! Antes que me esqueça, o Jason me lembrou que Nietzsche nasceu em Röcken e não em Leipzig. Agradeço novamente a lembrança; mas para alguém que recusava a própria nacionalidade, acho que não se importaria tanto com o fato de ter sido transferido de cidade natal... Mas se importarem, vai aqui um recado:

Hehehe!
Ahh! Antes que me esqueça, o Jason me lembrou que Nietzsche nasceu em Röcken e não em Leipzig. Agradeço novamente a lembrança; mas para alguém que recusava a própria nacionalidade, acho que não se importaria tanto com o fato de ter sido transferido de cidade natal... Mas se importarem, vai aqui um recado:
Hehehe!
Monday, April 10, 2006
Este blog não tem razão de existir, não fosse por força maior. Nunca tive paciência para ter um e/ou tempo e/ou o que dizer. Geralmente, quem me conhece, sabe que não tenho nada demais para dizer, as coisas todas já estão ditas, o que resta são bricolagens. Brincamos o tempo todo com o que já está aí (o que não quer dizer que não surja algo de novo e, por muitos vezes, coisas merecedoras de boas menções e etc...).
Queria somente postar um comentário a um amigo, e caí na cilada (han-han) "burocrática" deste provedor (?) de blogs, ou seja, para se postar um comentário em um blog é necessário ser afiliado desta honrosa instituição. E cá estou, sem a mínima idéia sobre o que dizer, com esse textinho chinfrim que não deve interessar a ninguém mais do que meus próprios amigos (para os quais, provavelmente, virarei motivo de boas risadas por uma semana ou duas). Bem, sem contar que o comentário que ia deixar ao Jason, um bonito comentário, diga-se de passagem, e que faz jus ao texto do referido, caiu no buraco negro do mondo virtuale: esse lugar fantástico, que deve ser o mesmo destino de todas as canetas bic, molhos de chaves, isqueiros, posts e scraps... No further comments.
Sendo assim, este espaço surge como uma contigência providencial, pois posso nesse momento me retratar com o meu amigo, dado que já esqueci tudo o que tinha comentado em seu blog, mas fica aqui essa citação que resume o que tentava exprimir sobre o escrito da experiência do dia 07 de abril de 2006:
"De tudo quanto se escreve, só me agrada o que alguém escreveu com seu sangue. Escreve com sangue e descobrirás que o sangue é espírito." Nietzsche
Notável consideração do alemão de Leipzig.
Espero que essa experência possa ser prazerosa e que este espaço possa funcionar como uma maquinaria de afecções e que, pelo menos aqui, a minha indisciplina possa imperar sobre o dever. Trocando em miúdos, escreverei quando "me der na telha".
Queria somente postar um comentário a um amigo, e caí na cilada (han-han) "burocrática" deste provedor (?) de blogs, ou seja, para se postar um comentário em um blog é necessário ser afiliado desta honrosa instituição. E cá estou, sem a mínima idéia sobre o que dizer, com esse textinho chinfrim que não deve interessar a ninguém mais do que meus próprios amigos (para os quais, provavelmente, virarei motivo de boas risadas por uma semana ou duas). Bem, sem contar que o comentário que ia deixar ao Jason, um bonito comentário, diga-se de passagem, e que faz jus ao texto do referido, caiu no buraco negro do mondo virtuale: esse lugar fantástico, que deve ser o mesmo destino de todas as canetas bic, molhos de chaves, isqueiros, posts e scraps... No further comments.
Sendo assim, este espaço surge como uma contigência providencial, pois posso nesse momento me retratar com o meu amigo, dado que já esqueci tudo o que tinha comentado em seu blog, mas fica aqui essa citação que resume o que tentava exprimir sobre o escrito da experiência do dia 07 de abril de 2006:
"De tudo quanto se escreve, só me agrada o que alguém escreveu com seu sangue. Escreve com sangue e descobrirás que o sangue é espírito." Nietzsche
Notável consideração do alemão de Leipzig.
Espero que essa experência possa ser prazerosa e que este espaço possa funcionar como uma maquinaria de afecções e que, pelo menos aqui, a minha indisciplina possa imperar sobre o dever. Trocando em miúdos, escreverei quando "me der na telha".
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