Friday, September 08, 2006

Fazendo uma pausa devido à falta de paciência e cansaço. Deixo este pequeno excerto para a degustação de vossas senhorias:

"Você me pergunta sobre aquilo que mais temo. Não é minha própria morte, certamente não é isso. Para mim, minha morte será simplesmente a porta se fechando suavemente para os sons que perturbam, obcecam e perseguem meu sono. Nunca cortejei a morte, como você faz. Você vê a morte como seu parceiro de dança, o outro com os braços à sua volta. Sua morte é o outro que você espera, procura, cuja violência é a resolução de seu desejo. Mas não aprenderei minha morte com você, que se diverte num sonho fácil de escuridão e sangue. É um flerte romântico com a violência, o filho bem-educado do médico chapinhando nos esgotos, antes de voltar para casa e transformar tudo numa polêmica barroca que o tornará famoso. Escolho o sol, a luz, a vida. E sim, naturalmente nós vivemos à margem. Você me ensinou a habitar os extremos. Você me ensinou que as fronteiras de viver e pensar são os únicos mercados a que o conhecimento pode ser levado, a preço alto. Você me ensinou a ficar à margem da multidão reunida em torno das mesas de jogo, a ver claramente tanto os jogadores quanto a roleta. Cher maître, você me acusa de não ter moral, escrúpulos, inibições, arrependimentos. Quem a não ser meu mestre podia ter-me ensinado a ser assim? Aprendi a ser com você."


Trecho do livro "Alucinando Foucault", de Patricia Duncker

3 comments:

Anonymous said...

bom isso.

Anonymous said...

"Deus também tem seu inferno. É seu amor pelos homens"... E recentemente ouvi dele dizer estas palavras: "Deus morreu. Morreu de sua compaixão pelos homens"...

Anonymous said...

atualiza, seu puto!!!