Thursday, June 29, 2006

Fragmento Extemporâneo

nessas vértices oblíquas encimesmadas de outrem e outrora vocês persistem, teimam em me mostrar os cacos que larguei esparramados alhures em variadas cores (verde, púrpura, vermelho, azul...). e então, empunhados contra a luz, ameaçam paixões e convicções nunca antes esboçadas, questões indissolúveis que esperam por um impossível A+B=C, um diagnóstico espúrio e temível ou um post-scriptum dissertativo acerca da grande oferta da culpa. logo deste, que já não sou eu quem digo e que corta este espaço num suplício de um puro abraço ou beijo esquivado em outro tempo.

DAMN YOU! que não compreendem que a epifania pode ser encontrada em doses cavalares de lascívia e em doses homeopáticas de alcalóides ( C11 H17 O3 N). obsedem-se então de mim, rasguem-me as veias se assim vos apraz! e com pesar constatarão que já não vivo aí aonde pensam me encontrar, mas num solo do Sonny Rollins, me divertindo num jogo com Alice ou caminhando no piano de Liszt. e a despeito do vosso pranto repressor, meus sentidos me demonstram qualquer coisa de belo que talvez se assemelhe com a Via-Láctea ou a aurora boreal: uma algazarra sensorial aonde me lambuzo e depois lambo os dedos em regozijo infanto-juvenil.
HIGHLY RECOMENDED!


"A serpente que cinge o mar e é o mar,
O repetido remo de Jasão, a jovem espada de Sigurd

Só perduram no tempo as coisas
Que não foram do tempo."

Eternidades, J. L. Borges

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