nessas vértices oblíquas encimesmadas de outrem e outrora vocês persistem, teimam em me mostrar os cacos que larguei esparramados alhures em variadas cores (verde, púrpura, vermelho, azul...). e então, empunhados contra a luz, ameaçam paixões e convicções nunca antes esboçadas, questões indissolúveis que esperam por um impossível A+B=C, um diagnóstico espúrio e temível ou um post-scriptum dissertativo acerca da grande oferta da culpa. logo deste, que já não sou eu quem digo e que corta este espaço num suplício de um puro abraço ou beijo esquivado em outro tempo.
DAMN YOU! que não compreendem que a epifania pode ser encontrada em doses cavalares de lascívia e em doses homeopáticas de alcalóides ( C11 H17 O3 N). obsedem-se então de mim, rasguem-me as veias se assim vos apraz! e com pesar constatarão que já não vivo aí aonde pensam me encontrar, mas num solo do Sonny Rollins, me divertindo num jogo com Alice ou caminhando no piano de Liszt. e a despeito do vosso pranto repressor, meus sentidos me demonstram qualquer coisa de belo que talvez se assemelhe com a Via-Láctea ou a aurora boreal: uma algazarra sensorial aonde me lambuzo e depois lambo os dedos em regozijo infanto-juvenil.
HIGHLY RECOMENDED!
"A serpente que cinge o mar e é o mar,
O repetido remo de Jasão, a jovem espada de Sigurd
Só perduram no tempo as coisas
Que não foram do tempo."
Eternidades, J. L. Borges
Thursday, June 29, 2006
Sunday, June 11, 2006
Frankly my dear....

"Não o escrevo às pressas, pois não quero que suponha que eu estou nervoso. Eu não sou um homem nervoso. Gosto de escrever calmamente. Gosto de escrever. Não gosto de escrever frases bonitas. Não aprendi a escrever frases bonitas. Quero escrever o pensamento. Eu preciso do pensamento. Não tenho medo de você. Sei que me detesta. Eu o amo como a gente ama um ser humano. Não quero trabalhar com você. Quero lhe dizer uma coisa. Eu trabalho muito. Não estou morto. Eu vivo. Deus vive em mim. Eu vivo em Deus. Deus vive em mim. Eu trabalho muito a dança. Minha dança está progredindo. Eu escrevo bem, mas não sei escrever frases bonitas. Você gosta de frases bonitas. Eu não gosto de frases bonitas. Você forma trupes. Eu não formo trupes. Não sou um cadáver. Sou um homem vivo. Você é um homem morto, pois seus objetivos estão mortos. Não o chamei de amigo, pois sei que é meu inimigo. Eu não sou seu inimigo. O inimigo não é Deus. Deus não é um inimigo. Os inimigos buscam a morte, eu busco a vida. Eu tenho amor. Você tem maldade. Eu não sou uma besta feroz. Você é uma besta feroz. As bestas ferozes não amam as pessoas. Eu amo as pessoas. Dostoievski amava as pessoas. Eu não sou um idiota. Sou um homem. O idiota de Dostoievski é um homem. Eu sou um idiota. Dostoievski é um idiota. Você achava que eu era tolo. Eu achava que você era tolo. Nós achávamos que nós éramos tolos. Não quero conjugar. Não gosto de conjugações. Você gosta que as pessoas se inclinem diante de você. Eu gosto que as pessoas se inclinem diante de mim. Você injuria os que se inclinam. Eu amo os que se inclinam. Eu atraio as inclinações. Você faz medo às inclinações. Sua inclinação não é uma inclinação. Minha inclinação é uma inclinação. Eu não aceito seu sorriso, porque ele tem cheiro de morte. Eu não sou a morte, e não sorrio. Não escrevo para escarnecer. Escrevo para chorar. Seu sentimento é mau. Meu sentimento é bom. Você quer me perder. Eu quero salvá-lo. Eu o amo. Você não me ama. Eu lhe quero bem. Você me quer mal. Conheço suas artimanhas. Eu fingia estar nervoso. Fingia ser tolo. Eu não era um moleque. Eu era Deus. Eu sou Deus em você. Você é uma besta, e eu sou amor. Você não ama aquelas pessoas agora. Eu amo aquelas pessoas e todos agora. Não pense, não escute. Eu não sou seu. Você não é meu. Eu o amo agora. Eu o amo sempre. Eu sou seu. Eu sou meu. Você é meu. Gosto de conjugá-lo. Gosto de me conjurar. Eu sou seu. Eu sou meu. Quero lhe escrever muito, mas não quero trabalhar com você, pois seus objetivos são outros. Sei que sabe fingir. Não gosto de fingimentos. Gosto de fingimentos, quando o homem quer o bem. Você é um homem mau. Você não é um czar. Já eu, eu sou um czar. Você não é meu czar, e eu sou o seu czar. Você me quer mal. Eu não lhe quero mal. Você é mau, e eu sou uma canção de ninar. Nana, nana, nana, nana. Durma sossegado, nana, nana. Nana. Nana. Nana."
VASLAV NIJINSKY
(evoé Ccello!)
Saturday, June 10, 2006
da série "crônicas de uma noite interior": the clown
a boca cede sua voz alimentícia aos dedos.
first step.
em fluxos pululantes como no movimento dos dedos na máquina o pensamento fantasma que repete o pensamento daquele abajur verde esquálido que sombreia a nota E.
second step.
inspirar cloreto de sódio tamponado hipertônico. refugar defluxo.
third step.
cigarro isqueiro cinzeiro papel cigarro fumaça caneta cinzeiro lenço caneta papel bala copo mesa copo cigarro frasco inspira refuga frasco cigarro fumaça cinzeiro leite comprimido.
fourth step.
trá ---- trá ---- trá ---- trá ---- trá ---- trá ---- trá. em E. e vai assim depois muda trá can can can ---- trá can can can ---- trá can can can ---- trá can can can. borracha madeira chão pé e passo. em E.
fifth step.
máquina-balanço-corpo-swing-tan-tan-tímpano-ruído-ruído-doído-
unha-vento-folha-luz-estrume-lixa.
sixth step.
feet still touching the dust underneath one two three four thousand voices around circular movements that my cigarrette made in this birdcage sparkling raindrops falling in the sky under the dust.
seventh step.
et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et et et et et et et et et et et et et etetetetetetetetetetetetetetetetetete.
eighth step.
inclinado deitado sentado avacalhado acostumado iniciado rebocado ornamentado enviesado escancarado selado marcado amarrado armado terminado ado ado ado ado ado ado ado ado ado............
ninth step.
tranpolim humor-destruição.
JUMP!
first step.
em fluxos pululantes como no movimento dos dedos na máquina o pensamento fantasma que repete o pensamento daquele abajur verde esquálido que sombreia a nota E.
second step.
inspirar cloreto de sódio tamponado hipertônico. refugar defluxo.
third step.
cigarro isqueiro cinzeiro papel cigarro fumaça caneta cinzeiro lenço caneta papel bala copo mesa copo cigarro frasco inspira refuga frasco cigarro fumaça cinzeiro leite comprimido.
fourth step.
trá ---- trá ---- trá ---- trá ---- trá ---- trá ---- trá. em E. e vai assim depois muda trá can can can ---- trá can can can ---- trá can can can ---- trá can can can. borracha madeira chão pé e passo. em E.
fifth step.
máquina-balanço-corpo-swing-tan-tan-tímpano-ruído-ruído-doído-
unha-vento-folha-luz-estrume-lixa.
sixth step.
feet still touching the dust underneath one two three four thousand voices around circular movements that my cigarrette made in this birdcage sparkling raindrops falling in the sky under the dust.
seventh step.
et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et non est et et et et et et et et et et et et et etetetetetetetetetetetetetetetetetete.
eighth step.
inclinado deitado sentado avacalhado acostumado iniciado rebocado ornamentado enviesado escancarado selado marcado amarrado armado terminado ado ado ado ado ado ado ado ado ado............
ninth step.
tranpolim humor-destruição.
JUMP!
Wednesday, June 07, 2006
da série "crônicas de uma noite interior": a última das desgraças
então é isso! todos os cabalísticos ascetas de plantão perfilados em genuflexão, rostos virados para o chão e recebendo com regozijo a chibata que desce! não se esqueçam de orar por mim também que sou seu irmão! hahahaha! e me lembro o quanto esses personagens de tempos imemoriais são afeitos a frases feitas, ditados, frases que "confortam"... "Deus escreve certo por linhas tortas", "sou brasileiro e não desisto nunca" e, a mais audaciosa e perigosa de todas: "a esperança é a última que morre"!!! (só escrevê-la e vem o cheiro de mofo). deixe-me contar para vocês uma historinha sobre essa senhora de vida longa (mas, por favor, não desconcentrem-se das suas súplicas, o cão está atento ao mínimo movimento). como são tão simpáticos a frases feitas lembrarei-lhes uma da santa escritura: "diga-me com quem tu andas que te direi quem és".a historinha é mais ou menos assim:
por ter-nos concedido “o brilho longevisível do infatigável fogo em oca Férula” roubado do Olimpo, Prometeu desperta a ira de Zeus, que manda Hefesto forjar uma mulher irresistível em todos os atributos: Pandora. long story short, Pandora se casa com o ingênuo Epimeteu (irmão de Prometeu). como presente de núpcias, Zeus dá ao casal uma caixa. ai Pandora! a curiosidade matou o gato! (e as frases feitas continuam). a caixa continha todas as mazelas e desgraças da humanidade, restando apenas - han han - a esperança.
"é assim que te pego decadente!" dizei-me agora, ó bravos fiéis que se postam de joelhos e imploram por mais carga no lombo, se não é essa velha imortal mais uma desgraça? aonde vão encontrá-la? na ascese? na transcendência? hahahaha!!! ne me faites rire! mas esperem! não vão ainda! tenho aqui em mãos a escritura! passem-me a caixa. isso. olhai a pérfida esperança deitada solene no fundo! vadia! - e de cócoras e calças arriadas, me postarei sobre o receptáculo e farei dele o meu dejetório olímpico! que honra! e em voz alta, junto a vós, pronunciarei as mais belas e confortantes palavras:
"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. etc..."
Vide agora a nova roupagem da decrépita! Olhai atentos como lhe cai bem as vestes - e o buquê! E então partam e espalhem a boa (velha) nova! "A esperança nasceu morta! Um parto mal-sucedido! Estamos livres enfim! Dancemos!"
Caros sacerdotes, "um cenho menos carregado" por favor...
por ter-nos concedido “o brilho longevisível do infatigável fogo em oca Férula” roubado do Olimpo, Prometeu desperta a ira de Zeus, que manda Hefesto forjar uma mulher irresistível em todos os atributos: Pandora. long story short, Pandora se casa com o ingênuo Epimeteu (irmão de Prometeu). como presente de núpcias, Zeus dá ao casal uma caixa. ai Pandora! a curiosidade matou o gato! (e as frases feitas continuam). a caixa continha todas as mazelas e desgraças da humanidade, restando apenas - han han - a esperança.
"é assim que te pego decadente!" dizei-me agora, ó bravos fiéis que se postam de joelhos e imploram por mais carga no lombo, se não é essa velha imortal mais uma desgraça? aonde vão encontrá-la? na ascese? na transcendência? hahahaha!!! ne me faites rire! mas esperem! não vão ainda! tenho aqui em mãos a escritura! passem-me a caixa. isso. olhai a pérfida esperança deitada solene no fundo! vadia! - e de cócoras e calças arriadas, me postarei sobre o receptáculo e farei dele o meu dejetório olímpico! que honra! e em voz alta, junto a vós, pronunciarei as mais belas e confortantes palavras:
"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. etc..."
Vide agora a nova roupagem da decrépita! Olhai atentos como lhe cai bem as vestes - e o buquê! E então partam e espalhem a boa (velha) nova! "A esperança nasceu morta! Um parto mal-sucedido! Estamos livres enfim! Dancemos!"
Caros sacerdotes, "um cenho menos carregado" por favor...
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